22.2.06

Os Americanos e o Apocalipse

Acredito, mesmo, que uma boa parte dos americanos também esteja inconformada com as asneiras do Bush. Os Stones puseram uma anti-homenagem em seu último disco, chamando o cara de tudo quanto é nome. E os americanos, a gente sabe, para eles o mundo são os Estados Unidos, o resto é quintal deles. Mas uma coisa eu não concordo: o Bin Laden não tem representatividade para reivindicar nada (ele inclusive foi sócio da família do Bush). O problema é esse. Não é o caso do Hammas, por exemplo, esse para mim ficou provado que é mais legítimo. Na verdade, já há muito eu percebo que o terrorismo palestino não pode mais ser tratado de forma isolada. Israel, sabe-se, os humilha e eles não tem armas para defender sua honra senão com a própria vida.

Essa questão dos atentados do 11 de setembro é muito sutil: ao mesmo tempo em que percebo que eles só foram possíveis porque uma boa parte do mundo árabe o apoiou, acho que o Bin Laden merecia estar morto, pois ele tenta criar uma espécie de subimpério muçulmano ou sei o que lá, ignorando as reais causas árabes. Aliás, o Bush nem sequer se deu ao trabalho de matá-lo após os atentados: se você viu o filme Fahrenheit 9/11 , você percebe que todo o mundo sabia onde ele estava e os americanos foram atacar as montanhas lá, bem longe. Eles não quiseram mexer com quem têm negócios.

Mas o império americano está em decadência. O mundo está pressionando para o fim dos embargos às importações e subsídios à produção local; a China e a Índia (e outros países) crescem na economia mundial e a volta das ameaças nucleares Coréia, Irã e demais países não americanistas detentores de urânio, somados ao medo europeu dos atentados de origem islâmica, colocam os Estados Unidos numa situação extremamente desfavorável. Agora, então, com os furacões, invernos rigorosos e o mundo se voltando contra eles, por eles terem boicotado Quioto e não terem mais como se esquivarem do mal que causam à natureza - e que agora se volta contra eles - eles estão bem mal na fita. Some-se a isso o desastre da invasão do Iraque, há 5 anos fora de controle.

Claro, conhecendo a natureza americana - e a de seu aliado, Israel - acho difícil uma solução pacífica. Para ser sincero, volta e meia faço paralelos entre as tragédias em sequência que vivemos e o Apocalipse. Imaginem: dentro de 40 anos o petróleo acaba e a única coisa que eu vi os Estados Unidos fazerem para evitar um colapso foi tentarem copiar a solução brasileira (a do álcool, não a do biodiesel). Se aqui, onde ela já vem amadurecendo há 20 anos, ainda nem dá sinais de que vai vingar, de fato, imagina lá...

A César O Que É de César


Muito interessante sua colocação, Eliane. De fato, os governos têm essa mania de inaugurar obras iniciadas em governos anteriores. Já em relação aos lucros dos bancos estatais, concordo em parte: eles devem sempre priorizar o social; daí a querer que eles lucrem menos como forma de fazê-lo, não me parece muito racional. O crescimento do lucro também indica crescimento do crédito, isso é básico. Vamos deixar para não comemorar quando não houver motivo.

22/02/2006
Recordes e contrastes O lucro da Petrobras foi o maior da história em 2005: R$ 23,7 bilhões, 40% a mais do que no ano anterior e o maior que uma empresa de capital aberto da América Latina já conseguiu. O lucro do Banco do Brasil também foi o maior da história em 2005: R$ 4,154 bilhões, 37,4% a mais do que no ano anterior. Mais...http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult681u199.shtml

18.2.06

Pros Cocos

No mundo da informática volta e meia nos deparamos com coisas feitas à revelia, notadamente de forma a conquistar primeiro determinada fatia do mercado. Isso vale para pequenas empresas e para grandas, como Microsoft e Oracle. Mas acho que tudo deve ter seus limites. O anúncio abaixo foi exibido ao pesquisar por "Maluf"...

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12.2.06

Movimentos Populares e Movimentos Impopulares

Às vezes vale à pena parafrasear: "A questão é que o poder público é tradicionalmente refém do grande capital" (abaixo). A visão de Frei Betto nesta entrevista me parece bem realista. A questão da "Mosca Azul" é maior que a da paixão política. É também a do sacrifício ideológico e a da demagogia - e, por extensão, a da corrupção. Nosso papel, como ele diz, é escolher, dos males, o menor.

“Mosca azul picou a direção do PT”
Entrevista com Frei Betto
Israel Tabak
Aos 61 anos, com 53 livros publicados, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, viveu com intensidade os últimos 45 anos da vida política brasileira. O frade dominicano foi líder estudantil, participou de grupos católicos, ficou preso quatro anos, morou em favelas e organizou movimentos populares. No fim de 2004, frustrado com a política econômica, resolveu desembarcar de uma experiência no Planalto: deixou as funções de assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Coordenação de Mobilização Social do programa Fome Zero. Mais...http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2006/02/11/jorbra20060211001.html