Informática na Escola
https://www.youtube.com/watch?v=19cTdFlDFI4&feature=share
Eu diria que há algo de verdadeiro nessa apresentação. Entretanto, a
verdadeira demanda do futuro não é para programadores e sim para o que chamamos
arquitetos de software. A diferença é que uns são "codificadores", ou
seja, criam "códigos", comandos em uma linguagem que o computador
aceita, ao passo que outros realmente criam sistemas, aplicativos e portais,
quer dizer, levantam necessidades, elaboram desenhos e fornecem os elementos
necessários para que se desenvolva o software.
O que estamos vivendo hoje, de certa forma, se assemelha ao que vivemos
na década de 70, quando havia uma pequena casta de seres humanos capaz de gerar
programas - no caso para computadores de grande porte, os mainframes - e os
demais, pobres mortais, tinham que se ajoelhar aos pés desses poderosos gênios.
A semelhança está na forma como as grandes empresas estão tratando o
desenvolvimento de software nesta década - e que já o vêm fazendo desde a
década passada.
O desenvolvimento de software hoje era para ser quase 100% visual, ou
seja, perto de zero por cento de codificação e perto de 100% de desenho e
utilização de ferramentas visuais. A tecnologia para se crirarem componentes
quase totalmente visuais, com um mínimo de código a elaborar, já existe há muito
tempo e começou a crescer nas décadas de 80 e 90. Porém, mais recentemente,
entramos numa espécie de retrocesso no processo evolutivo do desenvolvimento de
software. Algumas empresas aliaram-se a "gênios" da programação e
investiram muito em codificação. Isso criou uma demanda muito maior do que era
para existir para esse tipo de trabalho.
Toda aquela demanda anunciada no vídeo poderá ser reduzida a 1/3 - ou
seja, exatamente o que o mesmo video prenuncia que será a oferta - se se
investisse mais na produção visual de software, com um mínimo de código. Talvez
isso ainda aconteça. A tecnologia está aí, é mais uma questão de adequação do
mercado. Bolhas devem estourar nesse caso, se é que você me entende.
Em relação à introdução da programação de computadores como matéria
escolar, considero-a de importância a ser tratada, mas com extremo cuidado
quanto à natureza do computador e sua atuação sobre o operador, particularmente
o programador. A matéria é necessária dada a abrengência do ambiente
informático como meio de comunicação e armazenamento de informações, além, é
claro, do volume de serviços que a informática hoje presta.
Entretanto, o computador pode provocar dois grandes desastres no ser
humano - e um está ligado ao outro.
O primeiro é a destruição do senso de disciplina, sem o qual qualquer
crescimento pessoal fica comprometido. Isso acontece porque, na medida em que o
computador apresenta resultados imediatos perante a atuação do programador, sem
perceber todo o foco da concentração desse programador vai sendo transferido
para esse resultado imediato, fazendo com que a inteligência desse programador
se desenvolva muito em algumas operações e muito pouco em outros tipos de
raciocínios. Ou seja, uma inteligência viciada. A esse respeito, tenho
testemunho de pais que vêem seus filhos, dia a dia, se tornando pequenos
monarcas dentro de seus redutos informáticos, com todos os requintes
autoritários pertinentes.
O segundo ponto é que essa indisciplina pode criar seres tipo
"nerds", seres que, além de antissociais, vão ter sua saúde física e
mentalmente prejudicadas.
Bem, não estou querendo dizer que o computador vai
"emburrecer" os seres humanos. Isso se dizia das calculadoras na
década de 70 e viu-se que nada disso ocorreu, pelo contrário. Acho, sim, que a
informática pode contribuir para a inteligência do ser humano. Mas para que
isso traga realmente resultados positivos, tudo tem que ser disciplinado. A
programação visual pode, também nesse caso, contribuir.
Também discordo de certos psicólogos e sociólogos que dizem que a
tecnologia, por si só, torna os adolescentes mais antissociais, como já vi
palestras a respeito. Acho que, sob esse aspecto, os tablets, phablets e
super-telefones são apenas mais um meio de eles se comunicarem entre si e, ao
contrário do que esses pedagogos dizem, vêm contribuindo significativamete para
a melhoria do diálogo entre os jovens. (Professores de português vão querer me
atacar nesse ponto, mas eles que me disculpem, estão subestimando a
inteligência da juventude em questão.)


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