29.3.14

Informática na Escola

https://www.youtube.com/watch?v=19cTdFlDFI4&feature=share


Eu diria que há algo de verdadeiro nessa apresentação. Entretanto, a verdadeira demanda do futuro não é para programadores e sim para o que chamamos arquitetos de software. A diferença é que uns são "codificadores", ou seja, criam "códigos", comandos em uma linguagem que o computador aceita, ao passo que outros realmente criam sistemas, aplicativos e portais, quer dizer, levantam necessidades, elaboram desenhos e fornecem os elementos necessários para que se desenvolva o software.

O que estamos vivendo hoje, de certa forma, se assemelha ao que vivemos na década de 70, quando havia uma pequena casta de seres humanos capaz de gerar programas - no caso para computadores de grande porte, os mainframes - e os demais, pobres mortais, tinham que se ajoelhar aos pés desses poderosos gênios. A semelhança está na forma como as grandes empresas estão tratando o desenvolvimento de software nesta década - e que já o vêm fazendo desde a década passada.

O desenvolvimento de software hoje era para ser quase 100% visual, ou seja, perto de zero por cento de codificação e perto de 100% de desenho e utilização de ferramentas visuais. A tecnologia para se crirarem componentes quase totalmente visuais, com um mínimo de código a elaborar, já existe há muito tempo e começou a crescer nas décadas de 80 e 90. Porém, mais recentemente, entramos numa espécie de retrocesso no processo evolutivo do desenvolvimento de software. Algumas empresas aliaram-se a "gênios" da programação e investiram muito em codificação. Isso criou uma demanda muito maior do que era para existir para esse tipo de trabalho.

Toda aquela demanda anunciada no vídeo poderá ser reduzida a 1/3 - ou seja, exatamente o que o mesmo video prenuncia que será a oferta - se se investisse mais na produção visual de software, com um mínimo de código. Talvez isso ainda aconteça. A tecnologia está aí, é mais uma questão de adequação do mercado. Bolhas devem estourar nesse caso, se é que você me entende.

Em relação à introdução da programação de computadores como matéria escolar, considero-a de importância a ser tratada, mas com extremo cuidado quanto à natureza do computador e sua atuação sobre o operador, particularmente o programador. A matéria é necessária dada a abrengência do ambiente informático como meio de comunicação e armazenamento de informações, além, é claro, do volume de serviços que a informática hoje presta.

Entretanto, o computador pode provocar dois grandes desastres no ser humano - e um está ligado ao outro.

O primeiro é a destruição do senso de disciplina, sem o qual qualquer crescimento pessoal fica comprometido. Isso acontece porque, na medida em que o computador apresenta resultados imediatos perante a atuação do programador, sem perceber todo o foco da concentração desse programador vai sendo transferido para esse resultado imediato, fazendo com que a inteligência desse programador se desenvolva muito em algumas operações e muito pouco em outros tipos de raciocínios. Ou seja, uma inteligência viciada. A esse respeito, tenho testemunho de pais que vêem seus filhos, dia a dia, se tornando pequenos monarcas dentro de seus redutos informáticos, com todos os requintes autoritários pertinentes.

O segundo ponto é que essa indisciplina pode criar seres tipo "nerds", seres que, além de antissociais, vão ter sua saúde física e mentalmente prejudicadas.

Bem, não estou querendo dizer que o computador vai "emburrecer" os seres humanos. Isso se dizia das calculadoras na década de 70 e viu-se que nada disso ocorreu, pelo contrário. Acho, sim, que a informática pode contribuir para a inteligência do ser humano. Mas para que isso traga realmente resultados positivos, tudo tem que ser disciplinado. A programação visual pode, também nesse caso, contribuir.

Também discordo de certos psicólogos e sociólogos que dizem que a tecnologia, por si só, torna os adolescentes mais antissociais, como já vi palestras a respeito. Acho que, sob esse aspecto, os tablets, phablets e super-telefones são apenas mais um meio de eles se comunicarem entre si e, ao contrário do que esses pedagogos dizem, vêm contribuindo significativamete para a melhoria do diálogo entre os jovens. (Professores de português vão querer me atacar nesse ponto, mas eles que me disculpem, estão subestimando a inteligência da juventude em questão.)