5.11.10

Discriminação Anti-racista

Demagogia é sempre algo detestável. Quando se trata de questões relacionadas a racismo, então, a coisa fica mais repulsiva ainda. É impressionante como a sociedade tende a tirar proveito das dificuldades alheias para se promover. Diz-se, por exemplo, que chamar um preto de preto é um ato discriminatório. Entretanto, do meu ponto de vista, a palavra "negro" é muito mais nociva, vez que exige um cuidado especial ao se dirigir a um negro (ou preto) - o cuidado de não usar a palavra "preto", que é a mais natural da lingua cotidiana. Esse cuidado é, em si, um ato discriminatório: primeiro porque impõe uma distância a mais ao semelhante, na medida em que evita o linguajar natural; segundo porque rotula - "negro" diz mais respeito a raça, ao passo que "preto" diz mais respeito a cor.
Um segundo ato perigoso da demagogia anti-racista é a questão das cotas universitárias para pessoas de cor(?). Elas são extremamente perigosas por diversos motivos:
1. Diferenciam os critérios de admissão na universidade, atacando a questão dos direitos iguais;
2. Comprometem o reconhecimento da capacidade dos pretensos beneficiários, na medida em que permitem que acessem os recursos sem o devido mérito;
3. Comprometem o reconhecimento futuro dos mesmos beneficiários, uma vez que o fato de terem acessado a universidade por vias privilegiadas pode gerar dúvidas quanto a sua capacidade;
4. Criam, por si mesmas, as condições para o estabelecimento da discriminação, na medida em que tentam estabelecer critérios para a (des)qualificação dos beneficiários, sendo que esses critérios, além de duvidosos, correm o risco de enquadrar quem antes não era enquadrado em situações de racismo e
5. Tira a legitimidade do poder de barganha de substrtatos sociais, já que, protegendo esses mesmos grupos, propicia seu enquadramento como aplicão inapropriada de legislação e de patrimônio público ou privado.
Este último aspecto talvez seja o mais grave. Veja-se o que a classe trabalhadora hoje sofre pela ausência de uma lei trabalhista mais apropriada - até pela dificuldade de se fazer uma reforma trabalhista. E essa ausência é justamente por consequência de legislações de cunho político que, sob pretexto de proteger a classe trabalhadora, criou encargos excessivos os quais hoje afastam os empresários da contratação formal. O risco, no caso das cotas universitárias, é o de que se produza um grupo de pessoas que passarão a ser vistas como fonte de detrimento do nível de ensino universitário.
Mas temos agora um terceiro exemplo de demagogia anti-racista: a pseudo-proteção do ensino em relação a supostas abordagens racistas na literatura. O mais incrível dessa politicagem é que ela parece não perceber que está subestimando completamente a inteligência das crianças. É de uma ingenuidade cínica crer que um garoto ou uma garota de escola primária não saberá discernir entre o bom humor de quem reconhece a discriminação de fato existente em nossa sociedade ("Negro também é gente, sinhá!") de um tratamento discriminatório, com algm tipo de propósito para se justificar esse mesmo tratamento.
Ou seja, no final das contas, o que seria anti-racismo acaba sendo, ele mesmo uma discriminação a mais.

Livro de Monteiro Lobato pode ser vetado nas escolas, acusado de ser racista... Mais: http://www.band.com.br/jornalismo/educacao/conteudo.asp?ID=100000362856